CAP.12 – BARRADOS NO BAILE

Veja o que a FPF da época fez para impedir a participação do Palestra Itália no Camp. Paulista de 1915

O Campeonato Paulista viveu sua primeira edição em 1902, sem muito alarde. Aos poucos, porém, o torneio foi ganhando consistência e, quando teve início a segunda década do século passado, já levava aos estádios, nas tardes de domingo, um número cada vez maior de aficcionados.

Luigi Emanuelle Marzo

Como contamos no mais reente capítulo de “Nossa História”, após disputar seu primeiro jogo amistoso o principal objetivo do Palestra Itália e de seus dirigentes era a participação da equipe no Paulistão. O detalhe é que, ingênuos, aqueles rapazes tinham a mais plena certeza de que a vitória sobre o Savoia seria motivo mais do que suficiente para que o quadro fosse aceito pela APSA – Associação Paulista de Sports Athleticos (pouco mais tarde denominada APEA) -, a principal entidade criada para organizar a competição.

A certeza de que o Palestra seria aceito certamente não se baseava, contudo, somente na vitória sobre o time de Votorantim/SP. Dois fatores contribuíam para que a equipe dos italianos pudesse competir: o primeiro era que aquela não fora apenas uma vitória qualquer, mas sim também a primeira derrota do Savóia dentro de casa desde a sua fundação, 15 anos antes. A outra questão era de datas: o jogo fora disputado no dia 24 de janeiro, o torneio estadual só começaria em abril e, portanto, havia tempo hábil não só para o atendimento de todas as exigências por parte da APSA como também para a formação de um time próprio, sem precisar do empréstimo de jogadores por outras equipes.

Assim, crédulos de que tudo daria certo, foram Ragognetti, Marzo e Cervo à sede da APSA, logo na semana seguinte, saber quais os documentos necessários para a filiação do Palestra Itália. Lá chegando, os jovens palestrinos rapidamente perceberam que não eram bem-vindos: a entidade principal do futebol bandeirante não parecia nem um pouco interessada na inclusão em seus quadros de mais uma equipe sem história e nem força política.

Luigi Cervo

Inicialmente, desconhecedores de que toda a tramitação burocrática já fora feita e de que o Palestra atendia a todas as normas vigentes exigidas, dirigentes da APEA solicitaram uma série de documentos do clube e de provas cabais da idoneidade de seus diretores e presidente. Tudo lhes foi entregue. Em seguida, o argumento apresentado foi que a tabela do certame já havia sido feita, aprovada e até publicada nos jornais, mas tal afirmação rapidamente foi rechaçada pelos palestrinos, pois apenas seis equipes participavam do campeonato. Assim, qualquer mudança seria muito simples.

A cartada final se dirigiu, então, ao aspecto técnico. Disseram os poderosos de plantão que, se o Palestra Itália quisesse se juntar aos seis times que disputariam o Campeonato Paulista de 1915, teria de provar a sua força contra uma equipe mais forte e mais conhecida do que a do interiorano Savoia. Seria necessário vencer este tal adversário, escolhido pela própria APSA, para provar sua qualidade e, caso o vencesse, aí sim ser aceito nos quadros da entidade.

Vincenzo Ragognetti

Com isso, conseguiu a APSA o que queria: impedir a possibilidade da presença palestrina no certame de 1915, já que caberia ao Palestra Itália arcar com todos os custos deste jogo e, para isso, seriam necessários muitos bailes e festas para a obtenção dos recursos. A partida, porém, haveria de acontecer, mesmo que vencê-la significasse a participação apenas no Campeonato Paulista do ano seguinte, 1916.

Em nosso próximo encontro, vamos contar como se saiu o Palestra Itália na primeira grande decisão de sua vida.

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4 Responses to CAP.12 – BARRADOS NO BAILE

  1. robertoalfano

    As dificuldades na época não eram fáceis,e ainda hojecomtanto dinheiro rolando deveriam jogar com mais garra e determinação…

    Abraço.

  2. Bom dia Márcio.
    Essa má vontade da APSA/APEA com o Palestra parece que ainda não tinha a ver com questão de colônia e guerra (a primeira ainda estava por acontecer).
    Qual ou quais motivos poderiam existir para imporem tantas dificuldades?
    Saudações Alviverdes. Rumo ao tetra.

    • Márcio Trevisan

      Olá, Marcelo.

      Como já contado contado em capítulos anteriores, a má vontade dos dirigentes paulistas em relação ao Palestra Itália se devia principalmente a questões políticas.

      A cada dia que passava, aumentavam a força e a presença de italianos e de seus primeiros descendentes na mão-de-obra, até mesmo a qualificada. Isso lhes gerava poder que, evidentemente, não agradava em nada a elite paulistana de então.

      Obrigado pelo post.

      Abs.

      P.S. – Apenas uma correção: a I Guerra Mundial já estava em curso. Ela começou um ano antes, em 1914, conforme também já lembramos em capítulos anteriores.

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